Talvez você deva conversar com alguém

Sempre me sinto desconfortável em dar opiniões sobre livros muito conhecidos e que estão sendo bastante lidos, no momento. Portanto, prefiro registar o que ficou pra mim da leitura e também o que alguns trechos me provocaram. O livro de Lori Gottlieb, intitulado “Talvez você deva conversar com alguém: uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida de todos nós” (Maybe you should talk to someone: a therapist, her therapist, and our lives revealed), foi lançado em 2021, no Brasil, pela Editora Vestígio (aquela de vários livros policiais sobre os quais escrevi aqui).

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Lori Gottlieb é terapeuta e escritora, e nasceu em 1966, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ela escreve a coluna Dear Therapist, no The Atlantic, e também ficou bastante conhecida pelo seu TED Talk “Como mudar a nossa história pode mudar a nossa vida“. O livro, de modo geral, me lembrou bastante o livro “Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas”, escrito por Irvin D. Yalom, obra que li ainda quando começava a fazer os meus primeiros atendimentos no consultório. Dele, me lembro de ter lido “A cura de Schopenhauer”, “Quando Nietzsche Chorou”, “Mentiras no Divã” e “O carrasco do amor”.

Em “Talvez você conversar com alguém”, Lori Gottlieb se alterna entre histórias dos seus pacientes e de suas respectivas sessões e eventos na vida, e a própria história, com relatos pessoais de sua experiência e de seu próprio processo de psicoterapia. Somos conduzidos por ciclos, retornando, de quando em quando, aos personagens que conhecemos alguns capítulos atrás. Todos, sem exceção, são bastante cativantes, e suas histórias fazem com que a gente sempre se identifique, em alguma medida. Afinal, somos todos seres humanos, sujeitos a inseguranças, medos, tristezas e alegrias.

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Sempre que leio livros como este me dá uma vontade imensa de retomar a prática clínica de atendimento algum dia. Me dediquei pouco a esse lado da Psicologia, bem no início da carreira, e acabei o abandonando em virtude de demandas do trabalho no serviço público. Deste então, ensaiei muitas vezes esse retorno, ainda sem efetividade. Quem sabe um dia.

Acredito que para quem já fez psicoterapia alguma vez na vida, seja uma leitura ainda mais interessante, porque nos enxergamos em vários momentos. Para quem, além de ter feito psicoterapia, ainda é psicólogo e teve a experiência de estar no outro papel, é ainda mais curioso. São dramas comuns e inerentes a qualquer jornada de autoconhecimento. É impossível não se identificar com muitas histórias. O livro acaba, de alguma maneira, sendo terapêutico e trazendo muitas reflexões à tona.

Dentre as muitas belas passagens do livro, recortei essa: “Não existe hierarquia da dor. O sofrimento não deveria ser classificado, porque a dor não é um concurso”. Assim como não estamos competindo para ver quem é mais feliz, não deveríamos estar competindo para ver quem sofre mais. Essa percepção, trazida pela autora, reforça, prioritariamente, que devemos ser compreensivos com todas as formas de sofrimento e com todas as nuances da experiência humana.

Síntese:

“De modo geral, buscamos a ajuda de um terapeuta para melhor compreender as angústias, os medos, a culpa ou quaisquer outros sentimentos que nos causam desconforto e sofrimento. Mas quantos de nós já paramos para perguntar: o terapeuta está imune à gama de questões que ele auxilia seus pacientes a dirimir e superar, dia após dia? A autora best-seller e terapeuta Lori Gottlieb nos mostra que a resposta a essa pergunta traz revelações surpreendentes.

Quando ela se vê emocionalmente incapaz de gerenciar uma situação que perturba sua vida, uma amiga lhe faz uma sugestão: talvez você deva conversar com alguém.

Combinando histórias reunidas a partir de sua rica trajetória como terapeuta (distribuídas entre quatro personagens inesquecíveis) à sua própria experiência como paciente, Lori nos oferece um relato afetuoso, leve e comovente sobre a universalidade de nossas perguntas e ansiedades, e joga luz sobre o que há de mais misterioso em nós, afirmando nossa capacidade de mudar nossas vidas.

Uma jornada emocionante de autodescoberta, uma homenagem à natureza humana e um lembrete sobre a importância de sermos ouvidos, mas também de sabermos ouvir. Um livro sobre a importância dos encontros, dos afetos e da coragem de todos os que partimos para a aventura do autoconhecimento”.

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