Ansiedade e a “perda” da espontaneidade

Recentemente, tive o prazer de publicar um texto em uma edição temática da Revista Psicoterapia da Editora Mythos, de São Paulo. A edição traz diversas matérias sobre “Ansiedade e seus transtornos” e busca abordar de modo claro e acessível este tema tão relevante para a compreensão do comportamento humano.

Em meu artigo, busquei abordar o tema sob o ponto de vista do Psicodrama, trazendo ainda contribuições quanto a noção de saúde e doença de Georges Canguilhem, adotada pelo psicólogo francês Yves Clot (2006).

A ansiedade, em si, é um processo mental e físico, acionado em determinadas situações e um fenômeno comum, que faz parte do funcionamento do nosso organismo. Presente em nossos ancestrais, o mecanismo que nos estressa diante de perigos concretos e ameaças à nossa integridade, sempre esteve a serviço de nossa sobrevivência.

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No entanto, quando falamos dos distúrbios de ansiedade, estamos discutindo o que ocorre com esse processo quando ele ganha contornos desproporcionais e afeta nossas vidas de modo imprevisto. Afinal, somos seres humanos e, conosco, nada é simples.

Se considerarmos uma conduta espontânea como uma resposta adequada a si mesmo e ao meio em que se vive, o aumento da ansiedade virá com a diminuição dessa capacidade (CUKIER, 2002). Ou seja, o adoecimento ou o surgimento desproporcional da ansiedade está diretamente relacionado à diminuição da espontaneidade.

Costumo encarar alguns dos comportamentos que caracterizam os transtornos de ansiedade (nervosismo, medo de lugares ou situações, pensamentos repetitivos e manifestações corporais, como fadiga ou tensão muscular, por exemplo) como sinais, pedidos de auxílio para que a saúde seja reestabelecida. A doença é um pedido por saúde.

Dizemos assim que a doença não seria uma anormalidade, mas sim a expressão da vida, um fenômeno normal, inerente ao nosso funcionamento. Por outro lado, a indiferença do sujeito frente às suas condições de vida seria assim a profunda anormalidade. Dessa forma, a apatia e a passividade correspondem à diminuição da espontaneidade, à estagnação, a ausência de respostas.

Para ter acesso ao artigo completo, adquira a revista no site da Editora Mythos ou em bancas dentro da Grande São Paulo.

Referências

CLOT, Y. Entrevista: Yves Clot. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 2006, vol. 9, n. 2, pp.99-107.

CUKIER, R. Palavras de Jacob Levy Moreno. São Paulo: Ágora, 2002.

MONTEIRO, R. P. Ansiedade e a perda da espontaneidade. Revista Psicoterapia Editora Mythos, São Paulo, p. 53 – 57, 29 jun. 2016.

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7 Respostas para “Ansiedade e a “perda” da espontaneidade

    • Muitas vezes os sintomas de um e outro se confundem e estão conectados. No entanto, são quadros diferentes devido à predominância de algumas queixas. Temos dois posts no blog sobre depressão, talvez auxilie! Abraços

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  1. Pingback: Suicídio, tabu e 13 reasons why | Mais uma Opinião·

    • Oi Wanessa. O medo e a ansiedade são sentimentos necessários para a nossa sobrevivência. Sem eles, não teríamos como medir as consequências e regular nossas ações. A ansiedade se torna prejudicial quando foge do controle e predomina sobre as outras emoções, restringindo nosso comportamento. O mais importante é buscar o equilíbrio.

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  2. Recentemente fui diagnosticada com transtorno de Ansiedade e confesso que fiquei surpresa. Desde a infância sofro com dores de cabeça constante, estava com alguma dor e só agora mais de 8 anos depois chegaram a essa conclusão. Confesso que me assustei com a possibilidade, pois nunca me vi ansiosa, sempre me vi como uma pessoa que “liga” para as coisas. Agora estou tendo que aprender a me policiar e pra começar estou tomando ansiolítico.

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