Psicoterapia da humanidade

Ao tratarmos as questões emocionais, psicológicas de alguma pessoa, estamos ao mesmo tempo, lidando com a humanidade inteira… Não me lembro onde nem quando ouvi essa afirmação. Talvez nem tenha sido dita dessa forma, no entanto, foi o conceito que fixou em minha mente.

Me parece alguma ideia absorvida quando estudei Carl Rogers, psicólogo norte-americano e estudioso da Psicoterapia Humanista ou Abordagem Centrada na Pessoa. Ou talvez Jung, psiquiatra e psicoterapeuta suíço que fundou a psicologia analítica.

E não, não estou dizendo que as pessoas são todas iguais, os problemas são os mesmos e toda a humanidade se resume em três ou quatro conflitos básicos. Somos iguais mas somos diferentes. Muito diferentes. Se não fosse assim, não teria graça.

Sempre entendi como um dos princípios fundamentais da Psicoterapia um mergulho no mundo de uma outra pessoa. Um mergulho profundo que envolve um esforço enorme para ter pelo menos uma pequena ideia de como aquela pessoa se sente, como pensa, como raciocina.

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Irvin D. Yalom

Ao discutir a empatia – basicamente a capacidade de compreender o sentimento ou reação de uma outra pessoa -, Irvin D. Yalom (2006) aconselha:

“Olhem pela janela do outro. Tentem ver o mundo da forma como o seu paciente o vê.”

Não que seja algo fácil, mas nunca deixará de ser um príncipio essencial. Estou falando aqui sobre a psicoterapia individual, de grupo, de casal, de família e outros diversos formatos. De qualquer modo, estamos sempre lidando com um grupo limitado e reduzido de pessoas. Acredito que sejam os modelo mais conhecidos e divulgados, provavelmente a individual o que mais habita o imaginário das pessoas.

Acredito que fazemos (ou pelo menos deveríamos fazer) pequenos mergulhos todos os dias ao nos relacionar com colegas de trabalho, amigos (as), familiares ou companheiros (as) amorosos (as). Estamos lidando com um outro ser humano que possui, a princípio, capacidade de demonstrar qualquer expressão que consideramos humana.

Church Gate station, Mumbai, India, 1995

Church Gate station, Mumbai, India, 1995

Sentem tristeza, raiva, alegria, e medo. Fazem planos para o futuro, possuem diversos problemas sem solução, preocupações, angústias, segredos. São capazes de atos extremos de gentileza, de bondade ou de violência. Será mesmo? Por que não?

Os sentimentos, emoções, traços que consideramos típicos de nossa espécie estão presentes em todos nós. A partir do momento que entendemos um indivíduo como um ser social, biológico e psicológico, estamos atribuindo a ele uma herança genética e cultural dificil de calcular.

No texto anterior, comentei sobre a Psicoterapia Existencial e os pressupostos básicos existenciais a que estamos sujeitos: a morte, a liberdade, o isolamento existencial e a carência de sentido da vida. Entendo que são questões comuns a todos nós, assim como as emoções, sentimentos, a inteligência, dentre outros aspectos.

Sendo assim, ao tratar questões de uma pessoa no processo de psicoterapia, é difícil desvencilhar da ideia que estou me relacionando com a humanidade inteira “representada por aquele exemplar”.

Digo isso no sentido positivo e de forma alguma, como disse antes, generalizando as questões emocionais que são, sabemos muito bem, muito pessoais e individuais.

As expressões de nossos sentimentos, nossas experiências e nossa história nos fazem seres únicos. No entanto, é fascinante encontrar experiências similares ou sentimentos parecidos. Quem nunca se sentiu aliviado ao constatar que outro ser humano, qualquer um, já se sentiu em algum momento da vida exatamente como você estava se sentindo? Ou pelo menos quase.

Com certeza voltarei nesse tema outras vezes, mas afirmo que ao conversarmos com alguém ou observarmos um comportamento, mesmo que por alguns instantes ou por muitas horas, sempre conseguiremos entender um pouco melhor a humanidade.

Referência Bibliográfica:

YALOM, Irvin D. Os desafios da terapia: reflexões para pacientes e terapeutas. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.

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Uma resposta para “Psicoterapia da humanidade

  1. Acho que o que nos diferencia nesse quesito “problemas” está exatamente na forma com que lidamos com eles. Uns varrem pra de baixo do tapete, outros extravasam, outros tentam se resolver sozinhos… Mas no final das contas estamos todos expostos aos medos que afligem a humanidade.

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