O dom de ver atrás do morro: o trabalho de agentes penitenciários em um manicômio judiciário

Desde que apresentei a minha dissertação de mestrado na PUC Minas, em fevereiro de 2018, vinha maquinando internamente uma forma de publicar a minha pesquisa em forma de livro, mas de forma que agregasse algum conteúdo novo e se mostrasse em um formato mais acessível e convidativo para o público comum.

Portanto, entre muitas atividades paralelas, consegui articular a elaboração de um prefácio por uma professora convidada, escrever uma apresentação e fazer uma organização mais simples do conteúdo. Deu certo. No fim de agosto de 2019, recebi a notícia que o livro já estava disponível em formato eletrônico na Amazon (https://amzn.to/2Yf6dfr) e que em breve receberia a versão impressa. Um mês depois, recebi os exemplares físicos e tive a felicidade de ver todo o trabalho materializado. Estava publicado. “O dom de ver atrás do morro”: o trabalho de agentes penitenciários em um manicômio judiciário.

Síntese: Responsáveis por garantir a ordem e a segurança, os agentes penitenciários enfrentam uma realidade marcada pelo duplo sofrimento do paciente: o rótulo da loucura e a privação da liberdade, vendo-se divididos entre a prescrição de reprimir e o apelo a cuidar. Ao abordar a falta de formação específica, o caráter ambivalente da instituição e os impactos psicossociais da atividade sobre esses trabalhadores, este livro revela uma pesquisa com contornos inéditos, e de grande relevância científica e social, trazendo novos conhecimentos que contribuam para superar a escassez de estudos científicos sobre esses locais, reunindo dados e análises atuais sobre o sistema prisional do Brasil e de Minas Gerais.

Nesse processo, algumas pessoas merecem agradecimentos especiais. São elas: a professora Ludmila Ribeiro, Professora adjunta do Departamento de Sociologia (DSO) e pesquisadora do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública (CRISP), ambos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), responsável pelo prefácio. O Vitor Amaral Medrado, Professor de Direito na PUC Minas e Editor-chefe da Editora Dialética, que muito me auxiliou no processo e me impressionou positivamente com a experiência que tive com a Editora. E, por fim, o José Newton Garcia de Araújo, Professor Doutor na PUC Minas e meu orientador no mestrado e doutorado, sem o qual esse trabalho não seria possível.

Antes que pudesse organizar qualquer tipo de lançamento, pude viver uma experiência única que, à época, relatei apenas nas redes sociais. Foi no dia 09 de outubro de 2019. Portanto, vou reproduzir esse relato:

Hoje foi um daqueles dias em que somos lembrados do prazer de ser pesquisador e construir, junto com as pessoas, conhecimento e reflexão. Segue a história.

A impressão do meu livro, fruto da pesquisa de mestrado, “O dom de ver atrás do morro”, pela Editora Dialética, chegou ontem, aqui em casa. Devido a tarefas acumuladas, não consegui nem abrir a caixa e ver o livro com calma. Hoje, ao acordar e me preparar para o trabalho, lembrei que teria a última aula de uma disciplina que fiz esse semestre e, portanto, encontraria os colegas e o meu orientador. Então, antes de sair, abri a caixa e peguei um exemplar, ainda no plástico, e joguei na mochila.

Chegando no trabalho, mostrei o livro para uma ou duas pessoas, mas logo as tarefas se apresentaram e pensei que deixaria maiores divulgações para depois. No entanto, por volta de onze horas da manhã, vejo uma figura conhecida circulando no departamento de recursos humanos, próximo à minha estação de trabalho.

Essa pessoa era o Claudio, um agente penitenciário antigo do Hospital Psiquiátrico e Judiciário Jorge Vaz, em Barbacena, e que, além de ter sido entrevistado e me auxiliar muito a compreender o trabalho dos agentes, foi o responsável pelo título da minha pesquisa. Claudio agora está aposentando, após muitos e muitos anos de serviço. E estava lá por conta disso. Por isso, não sabia se o veria mais. Por tudo que ele me ensinou, já imaginava levar um livro até ele. No entanto, a coincidência e o ‘destino’ agilizaram e facilitaram os planos.

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Fui dar um abraço nele e pedir que aguardasse: tinha um presente pra ele. Corri e providenciei uma dedicatória espontânea. Entreguei o meu primeiro livro impresso a um dos trabalhadores com os quais pesquisei. Muito simbólico e significativo. Afinal, nada mais adequado. É como a primeira fatia do bolo. É especial. Reconhecer, através do Claudio, todo o trabalho conjunto que propiciou que este livro e o conhecimento histórico de um ofício tão invisível viessem à tona.

Uma vez disponível nas lojas virtuais e recebidos os exemplares físicos, era hora de organizar o lançamento oficial. Como sugerido pela Editora, marcamos o evento para ocorrer no Café com Letras, na Savassi, em Belo Horizonte, no dia 30/11/2019, um sábado, durante o dia. Inicialmente, não queria fazer um evento de lançamento, por medo de me frustrar com as ausências e talvez menosprezar o valor do trabalho que estava sendo publicado. Mas me convenci e partimos para a divulgação.

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O resultado? Um momento muito importante e único, onde, além de marcar simbolicamente o lançamento do meu primeiro livro, foi possível receber amigos, colegas e familiares para compartilhar aquele dia tão especial. Às vezes, ficamos presos ao trabalho e à necessidade de produzir, mas esquecemos de reservar momentos apenas para desfrutar dos ganhos e do reconhecimento do que fazemos. Lá, no Café com Letras, deixei que isso acontecesse. Abaixo, deixo algumas fotos do lançamento e um agradecimento muito especial a todos e todas que lá estiveram. O abraço foi fundamental para que aquele “medo do menino bobo”, como disse Tom Jobim, na abertura do disco “Em Minas Ao Vivo – Piano e Voz”, me fizesse deixar de lado os receios e simplesmente aproveitar o momento.

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Para quem quiser adquirir o livro, ele está disponível comigo e nas lojas virtuais. Boa leitura!

Quem sabe, daqui algum tempo, volto para falar do segundo. Abraços!

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