Quando damos o valor adequado às pessoas?

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Desde que iniciei um processo de psicoterapia, há muitos anos, tomei conhecimento de uma tendência que persiste até os dias de hoje e que talvez sempre me acompanhe. Algo comum, penso frequentemente que ontem não tinha tanta consciência do mundo e de mim mesmo como tenho hoje e que, com certeza, terei um pouco mais amanhã.

Esse pensamento de que no dia anterior minha percepção não era tão boa como hoje e que a de hoje será pior que a do dia seguinte, esbarra no perfeccionismo, no cuidado, na insatisfação crônica e na ansiedade. Todas estas, são traços muito comuns a todos nós, em diferentes proporções.

Positiva e negativa, uma tendência como essa gera ao mesmo tempo um aperfeiçoamento constante e uma constante insuficiência. Pensando sobre isso, chego à questão que dá nome à essa reflexão. Ontem dei menos valor a alguma pessoa do que posso dar hoje ou amanhã? Com certeza não funciona dessa forma, lógica e dotada de início, meio e fim, como numa evolução constante.

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“E se fosse eu?”

Nossa percepção flutua em momentos e a vida segue uma lógica muito pouco precisa. No entanto, é possível perceber a relevância de um fator básico que influencia nossa relação com as pessoas: a empatia. Basicamente conhecida como a capacidade de se colocar no lugar do outro, essa habilidade é mais essencial do que damos a devida importância. E digo mais, a compreensão do outro nesse sentido se liga diretamente ao respeito. 

Por exemplo, hoje respeito mais os meus pais do que há dez anos atrás, e não há nada de absurdo nisso. Aliás, ainda bem. Isso é sinal de que entendo melhor os seus esforços, as suas lutas, suas dificuldades, qualidades e defeitos.

Quando começo a viver experiências parecidas começo a me colocar, querendo ou não, em seus lugares. Vivo obstáculos parecidos, problemas semelhantes e entendo felicidades que não entendia antes.

Em suma, respeito mais o outro na medida em que me coloco em seu lugar e compreendo sua experiência.

Quando explico algo assim parece que estou falando de um processo de psicoterapia mas, não se engane, é tudo bastante parecido.

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“Você ia gostar se o rato fizesse isso com você?”

Há uma frase conhecida – Carpe diem – que traduzida do latim diz ‘aproveite o dia’ e lemas parecidos com “só existe o hoje” ou “viva o dia de hoje como se não houvesse amanhã”. Todos ressaltam a importância do momento, do presente e ilustram, parcialmente, o que considero uma resposta para a questão: quando damos o valor adequado às pessoas?

Hoje dei o valor adequado e, caso ache que não foi suficiente, darei mais amanhã. Não deve ser uma busca incessante, mas uma preocupação – positiva – constante, de acordo com nossa capacidade atual.

Não acho que seja uma obrigação das pessoas buscar aprimorar sua consciência sobre o mundo e as coisas à sua volta, mas se pudesse dar um único conselho, não seria que usem filtro solar, mas que, como dizia Moreno, busque sempre colocar-se no lugar do outro.

O valor adequado que damos às pessoas corresponde, dentre outras coisas, ao momento, ao respeito e à nossa capacidade de ser empáticos.

Recentemente li uma junção de entrevistas muito interessante com o pensador e escritor Roman Krznaric, que inclusive mantém um blog sobre empatia e assuntos afins. Roman cita algumas dicas ao afirmar que empatia é também uma questão de hábito, dentre elas: cultive a curiosidade diante dos estranhos; desafie preconceitos e procure coisas em comum; e tente viver a vida de outra pessoa. 

Além disso, o pensador tem como ambição criar um museu da empatia e vislumbra a existência de escolas ensinando a arte de viver, como no depoimento abaixo:

“Imagine que, numa escola regular, uma tarde por semana seja dedicada para a aula de vida, com três componentes. Em um, é o aprendizado tradicional, na sala de aula e ensina, por exemplo, os seis tipos de amor da Grécia Antiga. O segundo seria de conversas. Os alunos sairiam às ruas para falar com estranhos, visitar casas de repouso para cegos. Essas conversas podem ser de muitas maneiras, inclusive on-line, em que se pode ter contato com crianças no Quênia.

O ponto é ir além do papo superficial de duas linhas do Facebook. O terceiro componente seria destinado a experiências de diferentes tipos de vida. Poderia ser ajudar alguém a construir uma casa ou um voluntariado com pessoas muito diferentes de você. Eu adoraria ver as escolas oferecerem esse tipo de educação para a vida, mas também adoraria que as escolas ensinassem empatia” – acesse aqui o artigo completo.

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5 Respostas para “Quando damos o valor adequado às pessoas?

  1. Pingback: Pode fechar a conta, 2016 | Mais uma Opinião·

  2. “Hoje dei o valor adequado…” Só dá quem possui, dizia um velho e sábio amigo. Quem possui valor é capaz de dar valor, tanto a si como ao outro. De modo equilibrado e justo. Mas há a incoerência humana de, às vezes, dar mais valor ao outro do que a si mesmo. Considero errado. Ser justo consigo e com os outros, no meu entendimento, é a correta atitude. Todos estamos nos construindo. E da qualidade de nossa construção mental, emocional e espiritual é que conseguimos extrair ordem, harmonia, vida, luz, paz e amor. Precisamos construir e desenvolver para depois dar e expressar. E o mundo será tal e qual como o concebemos. E a empatia ou a antipatia será o eterno reflexo de nós mesmos.

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  3. Realmente Rodrigo. A empatia é um dos fatores mais importantes para a convivência diária seja em família ou com amigos. Na família, quando não se tem empatia, substituímos pelo respeito e pelos laços de sangue que nos une. O mais importante mesmo é o que voce relatou tão bem: ficar no lugar do outro. Parabéns!!!

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