10 perguntas sobre a auto ajuda? Não, só uma

“Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia”

E estão vendendo. Frases motivacionais, citações de Clarice Lispector, relatos de experiências renovadoras, manuais de como fazer isso ou aquilo, 10, 12 ou 15 dicas para transformar a sua vida e paisagens acompanhadas de trechos de um livro de Shakespeare ou uma música popular. Necessário ou desnecessário? Depende.

Em redes sociais, como Twitter ou Facebook, ainda mais do que na “vida real”, é predominante o compartilhamento de mensagens motivadoras e guias sobre a mudança de carreira que você deseja, a busca da felicidade e a receita de um relacionamento amoroso saudável.

O fenômeno dos livros de auto ajuda é algo conhecido e muito discutido, criticado ou incentivado por diferentes segmentos da sociedade e a própria definição já se explica: “eu mesmo me ajudo”.

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Como psicólogo, me preocupo em distinguir a Psicologia científica da Psicologia do senso comum (o que já fiz em outro post), e principalmente o gênero de livros de auto ajuda da Psicologia de um modo geral.

Pesquisando sobre o tema, encontrei o livro “O seu último livro de auto ajuda” do neuropsicólogo Paul Pearsall. O autor questiona diversos pontos trazidos geralmente em livros de autoajuda e, não desvalorizando o gênero, afirma “que devemos abordá-los como consumidores cautelosos, realizando uma compra, e não como pacientes contratando um terapeuta virtual”.

Não sou contra nem a favor da auto ajuda em forma de livros e guias, nem em outras formas. Sou contra adotar posturas e opiniões de outra pessoa sem uma crítica, o que muitas vezes acontece. Afinal, modelos bem sucedidos adotados por uma pessoa não serão necessariamente bem sucedidos com outra pessoa.

O que importa, além dos conteúdos e das informações em grande quantidade que recebemos hoje em dia, é o que fazemos delas. Como eu posso colocar em prática na minha vida a citação bacana que eu li do Luis Fernando Veríssimo? Faz sentido para mim as 10 dicas que li sobre como mudar minha vida profissional?

Faço então só uma pergunta:

  1. Até onde vai sua capacidade de “se auto ajudar” e o momento de aceitar a ajuda do outro?

Costumamos ser muito parciais ao lidar com nossos próprios problemas. Conhecer e questionar devem ser os princípios, e não conhecer e adotar simplesmente. Não nos tornemos depósitos de citações, conselhos e fórmulas prontas. Mais do que necessário ou desnecessário, faz sentido ou não?

Referências bibliográficas

Matéria Folha de São Paulo disponível em http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/849087-autoajuda-deturpa-psicologia-difunde-chavoes-e-prejudica-adeptos-diz-autor.shtml

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10 Respostas para “10 perguntas sobre a auto ajuda? Não, só uma

  1. Ótimo texto, Rodrigo. Eu não conseguiria ser tão equilibrado, já que minhas opiniões sobre o assunto são mais incisivas.
    Nesse sentido, queria te sugerir um tema para outro texto. Como você vê esse nova onda da psicologia positiva: PNL, coaching, etc (coisas que eu costumo chamar de “psicologia em marketing de rede”)?

    Saulo

    Curtido por 1 pessoa

    • Já pensei sobre isso, mas vou refletir e escrever também. Quando corre risco da psicologia estar a serviço de uma lógica do mercado e apenas ajudar o sujeito a se encaixar, acho perigoso. Obrigado Saulo! Vou acatar a sugestão!

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  2. Muitas vezes estamos tão perdidos que a única saída é apelar para tais livros. Vivemos em uma sociedade falsamente aberta onde falar sobre nossas inseguras pode ser uma arma contra nos mesmos. Se estamos em uma empresa e admitimos uma fraqueza somos criticados pelos nossos colegadas de trabalho e deixamos nossos superiores com dúvidas em relação a nossa competência. Isso acontece em relacionamentos também, ficamos inseguros de admitir que não sabemos como agir ou ate mesmo sobre quando falamos sobre sexo. Por isso muitos acabam se encontrando nesse tipo ajuda.
    Kelly

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  3. O ser humano, desde os primórdios, procura se amparar em soluções “mágicas”. A auto ajuda, nada mais é que a mesma busca, travestida com um nome mais atualizado. Não posso aconselhar ninguém, sob o risco de repetir o que acabo de condenar. Porém, acredito que bom senso e discernimento são fundamentais para que as pessoas entendam que a solução dos seus problemas, está dentro delas e fórmulas prontas pouco poderão ajudar a resolver.

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  4. O maior “perigo” da auto ajuda está exatamente nessa verdade absoluta que ela tende em se transformar.
    As pessoas enxergam ali a verdadeira solução para os seus problemas e se esquecem de filtrar aquilo que estão lendo.

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  5. Olá Rodrigo, gostei do seu texto. Este assunto reflete uma característica muito comum entre as pessoas nos dias de hoje, buscar no externo soluções que estão no interior delas mesmas. Como psicóloga também me preocupo com estes excessos de buscas desesperadas por uma palavra, um livro, uma citação que traga soluções imediatas para os seus problemas. E são tantas opções que parecem que são produzidas em massa, para tratar das massas, como soluções coletivas, enquanto que cada ser humano é único e a verdade e as soluções estão dentro delas mesmas. A dificuldade ou a “preguiça” é olhar para dentro de si e ter que se haver com seus medos, fantasmas, fantasias, misérias….mas também as coisas boas, os talentos, aspirações e todo o potencial de enfrentar as durezas da vida. Esta é a beleza de uma boa análise, terapia, enfim, um movimento de fora pra dentro…a verdade está sempre com o sujeito e não fora dele.
    Abraços.
    Vânia Soares

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