De volta à cadeira de aluno #5

Este post é mais um pequeno diário que se propunha semanal (ou quinzenal) do Mestrado no blog – mas que se tornou ocasional – das minhas impressões, descobertas e achados. A minha última publicação foi em maio de 2017. E isso tem várias explicações. Se quiser, leia as anteriores para ficar por dentro, mas não é indispensável.

A ideia é apenas registrar o processo, a evolução, a vivência da formação e do trabalho, sem nenhuma responsabilidade com a verdade definitiva ou saber empírico. Um hábito que tomo como diário de campo.

Em que pé estamos? Bom, no dia 06 de fevereiro de 2018, daqui a cerca de um mês, apresento o resultado do meu trabalho de mestrado, a famigerada dissertação. Título? “O dom de ver atrás do morro”: a atividade de agentes de segurança penitenciários em um manicômio judiciário de Minas Gerais.

Enquanto escrevo este post, estou aguardando os comentários – e correções – do meu orientador sobre o texto original, que entreguei na última quinzena de dezembro/2017 para ele. Todavia, para chegarmos até aqui, algumas coisas – ou muitas – aconteceram.

Como disse no post anterior, em junho de 2017, estive em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, falando sobre a minha pesquisa no congresso de 2017 da ISMA – International Stress Management Association – “Trabalho, Stress e Saúde: soluções para o burnout – da teoria à ação”. É um evento internacional e, além de ter tido a oportunidade de conhecer outras pesquisas e conteúdos sobre o tema, foi mais uma chance de discutir minha pesquisa, já com alguns resultados preliminares naquele período.

O segundo semestre de 2017 foi marcado por cinco desafios: 1. Finalizar a minha pesquisa de campo em Barbacena/MG; 2. Escrever a dissertação; 3. Qualificar o meu projeto de Mestrado; 4. Tentar ser aprovado para o Doutorado, na própria PUC Minas; 5. Mudar a minha área de atuação no meu trabalho. Vamos a cada um deles.

Sobre a pesquisa de campo, no início de setembro, realizei minhas duas últimas visitas ao manicômio judiciário de Barbacena. Já com a pesquisa mais amadurecida e com a escrita também mais avançada, foi uma excelente oportunidade de observar aspectos antes não percebidos. Terminei as entrevistas, vi o que mais achava que tinha que ver e pronto. Era hora de tentar organizar tudo e começar a nova etapa do trabalho, bem dura por sinal: a análise dos dados.

É aqui que entramos na escrita da dissertação. Para quem já se aventurou em pesquisas acadêmicas ou pretende se aventurar, recomendo que busquem se capacitar no software ATLAS.ti, um programa para análise de dados qualitativos. Sem ele, não sei o que teria sido de mim para analisar todas as informações que produzi. Digo, um jeito a gente dava, né. Mas com esse programa, a flexibilidade e a capacidade de organizar e mexer nos dados é muito maior.

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Você pode criar categorias, fazer anotações, destacar citações e visualizar de diversas formas visuais os dados produzidos, ainda em tratamento. Como a maioria dos programas, existe um período de teste de 30 dias gratuito. Eu adquiri a licença para estudante, durante 06 meses, o suficiente para finalizar o trabalho. E, no meu caso, a PUC ofereceu uma disciplina optativa no programa de pós graduação.

Fora isso, quando começamos a trabalhar com os dados produzidos, vemos a necessidade de tratar melhor o nosso referencial teórico, deixando mais claro porque pensamos no que pensamos em primeiro lugar. Dessa forma, a vinculação que você faz entre os dados e os conceitos, entre o que autores dizem e o que você viu na sua pesquisa de campo, tudo isso fica muito mais claro.

Porém, isso não é nada fácil. E chega até mesmo a ser um pouco angustiante. Afinal, é muita coisa, e temos a tendência a escrever muito, ser redundantes e cansativos. Quem quer ler aquele trabalho que fala, fala, fala e não fala nada? Ou aquela pesquisa que nunca acaba? Eu não. O que espero fazer antes de entregar o trabalho final é justamente conseguir – após a análise meticulosa do meu orientador – sintetizar a dissertação. Deixá-la enxuta, objetiva, coesa e de boa leitura. Será que dá pra fazer? Yes, we can!

No meio disso tudo, passei uma etapa essencial do mestrado em si: a qualificação. Honestamente, quando entrei no Mestrado, nem sabia que isso existia. E eu lá, com aquela cara de paisagem, buscando o significado disso no Google enquanto simplesmente acenava com a cabeça.

Podemos dizer que há um certo consenso de que devemos qualificar o nosso projeto sempre no fim do primeiro ano do Mestrado ou no máximo no primeiro semestre do segundo ano. Entretanto, isso varia bastante de acordo com os professores, o programa de pós graduação e o próprio aluno. No meu caso, qualifiquei no segundo semestre do segundo ano, em outubro/2017. Sim, nos acréscimos do segundo tempo.

Qualificar, como o próprio nome diz, é dar o aval para que o trabalho seja realizado e concluído, e também dar mais qualidade e coerência ao que está sendo proposto. Acredito que tenha sido justamente isso o que ocorreu no meu caso. Uma vez aprovado, você leva as ressalvas para a casa e bota a mão na massa.

O problema é que um trabalho que tinha 80 páginas na qualificação, se tornou uma dissertação de 185 (!!!!!), afinal, senti a necessidade de colocar um milhão de outras coisas – quadro, tabela, figura, referências, autores, e por aí vai. Como disse antes, a expectativa é que eu possa tornar esse número mais agradável nos próximos dias e apresentar um produto final no meio termo. Mas, não há do que reclamar. A qualificação foi excelente, fui aprovado com críticas bem pertinentes e o esquema todo só ajudou, no fim das contas.

Nesse meio tempo, tentei ser aprovado no Doutorado na própria PUC, e dar continuidade aos estudos – e à pesquisa – de uma vez. Faz projeto, escreve projeto, aumenta página, reduz página. Pronto, projeto feito. Para o Doutorado, o programa de Psicologia exige, além do currículo lattes comprovado e etc, um projeto de pesquisa, a indicação de um possível orientador, a aprovação em um teste de proficiência em outra língua diferente da exigida para o Mestrado e, claro, a batida do martelo dada na entrevista presencial com os professores.

No entanto, existia mais uma particularidade: não poderia começar um Doutorado lá se eu não conseguisse uma bolsa de estudos, ou seja, no meu caso que tenho vínculo empregatício, a isenção da mensalidade. Para isso, precisava fazer um processo seletivo bacana e convencer a todos que investir nesse rapaz aqui vale à pena.

No fim de toda a saga: aprovado, “com louvor” e, o mais importante, com bolsa (!!!!!). É isso, terminando o Mestrado agora no dia 06 de fevereiro de 2018, já começo o Doutorado na PUC em março, para mais quatro anos de estudo e pesquisa. Acredito que, para quem já leu os outros posts da série “de volta à cadeira de aluno”, é possível perceber como gostei de retornar ao mundo acadêmico e voltar a estudar. Considero a minha entrada no Mestrado e agora no Doutorado como uma grande virada de chave na minha vida profissional. Torço – e trabalho – para que continue assim. E que resultados – previstos e imprevistos – venham no presente e no futuro.

Por fim, mudei de local de trabalho e também de função. Agora estou como referência técnica da Psicologia para os profissionais que atuam diretamente no atendimento indivíduo privado de liberdade, nas unidades prisionais de Minas Gerais. Por enquanto, está sendo uma ótima experiência para conhecer “o outro lado da moeda”, ou seja, os assuntos que se referem aos presos, já que, desde que entrei no Estado, sempre lidei com os trabalhadores. Espero trazer novas reflexões sobre isso em breve.

Por hoje é só. Depois da minha defesa, volto a escrever. Abraços e obrigado por acompanhar!

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2 Respostas para “De volta à cadeira de aluno #5

  1. Adorei Rodrigo o texto. Parabéns o elo seu esforço em terminar a tese e conseguir a bolsa para Doutorado. 2017 foi muito bom para você. Espero que o Estado te recompensa e valorize o seu esforço, aliás ninguém vive de vento….

    Curtido por 1 pessoa

    • Obrigado Edina! O negócio é correr atrás para nos formarmos e nos valorizarmos enquanto profissionais. O que vier além disso e o que pudermos intervir para contribuir com o trabalho de quem realmente se compromete, é consequência. Abraços!

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