Estamos mesmo falando sobre violência?

“O número de homicídios subiu 12,3%, de roubos 42,1%, de sequestros 30%, o número de pessoas que entendem o que está acontecendo conosco teve uma queda de 35%”.

Estamos mesmo falando sobre violência?

Desde que comecei a pesquisar sobre o tema da violência, venho observando o tipo de discussão que normalmente se constrói na mídia e na imprensa sobre esse tema. Quando digo violência me limito nesse momento à violência física (que não deixa de ser também social e psicológica) que observamos todos os dias nos noticiários da televisão, nos jornais, sites de notícias da internet e redes sociais.

Por meio de roubos, assaltos, homicídios, estupros, sequestros ou agressões, indivíduos cruzam o limite da lei, nos lembram do que o ser humano é capaz e geram insegurança, medo e preocupação.

Mas como estamos sendo informados disso? Quando trago à memória notícias sobre episódios de violência, me lembro de assistir a grandes noticiários na televisão relatando casos cada vez mais assustadores, o aumento da violência em todo o país, questões políticas envolvidas e a alguns crimes em particular, que parecem ser escolhidos para serem mantidos na mídia durante algum tempo.

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Em programas de televisão por muitos considerados como sensacionalistas, a forma de mostrar episódios de violência é ainda mais superficial e buscar atrair a audiência através de tragédias, tristezas, relatos emocionantes, críticas políticas e cenas cada vez menos censuradas.

Casos recentes da controversa “justiça com as próprias mãos” têm despertado também debates sobre a segurança pública e sobre a violência no Brasil em particular.

Mas retomo a pergunta do título: estamos falando mesmo sobre violência?

Me incomodo ao observar que os grandes noticiários ou os programas sensacionalistas (que juntos, imagino, atingem grande parte da população) raramente – ou nunca – se propõem a apresentar uma discussão psicológica, filosófica ou sociológica da violência.

Não vejo questões óbvias tentando ser respondidas nesses canais de comunicação, como: porque somos violentos? Porque alguns recorrem à violência? Faz parte do ser humano ser violento? Que impacto psicológico essa violência rotineira nos causa? A violência é algo assim tão distante de nós, as pessoas de bem?

Acredito que enquanto a violência for noticiada de modo superficial, através de números impressionantes ou de casos pontuais de pessoas famosas, famílias conhecidas ou crimes que assustam até mesmo o mais incrédulo na raça humana, pouco mudará.

Porque não discutir de modo aberto a natureza da violência nos grandes meios de comunicação? Não se trata de estimula-la, mas de entende-la. Informar a população sobre ela e produzir entendimento, ao invés de apenas informar, assustar ou provocar.

É possível que enquanto acreditemos que a violência está somente com aqueles que nos assustam e muito longe de nós, como algo que não nos pertence, não consigamos sair do lugar.

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2 Respostas para “Estamos mesmo falando sobre violência?

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