Quem me acompanha há mais tempo, sabe que, boa parte do meu hábito de ler, atualmente, se deve aos romances policiais. Posso dizer que foi a literatura policial que despertou em mim o prazer de ler e, particularmente, um autor em particular: Georges Simenon. Não somente um autor, mas um personagem específico: o Comissário Maigret.
Georges Simenon foi um romancista belga de grande produtividade. Entre novelas, romances, artigos e autobiografias, somou mais de quatrocentas obras publicadas. “As tiragens acumuladas de seus livros atingem mais de 500 milhões de exemplares. É o autor belga, e o quarto autor de língua francesa mais traduzido em todo o mundo”.
Me valendo de um trecho que escrevi, há alguns anos, para um texto no site Literatura Policial, para o qual escrevi resenhas por um bom tempo, apresento Maigret para você: “Para quem não o conhece, o comissário da polícia judiciária Jules Maigret é o mais famoso personagem criado pelo escritor belga Georges Simenon (1903-1989). Residente no Boulevard Richard-Lenoir, em Paris, Maigret é um funcionário público francês com toques de psicólogo e uma curiosidade cativante pela natureza humana”.
“Possivelmente nos seus 50 anos, Jules é casado com a Sra. Maigret (Sim, é assim que ela é chamada. O nome real é Louise, para os íntimos), uma esposa inacreditavelmente compreensiva. Sem filhos, o comissário chefia uma equipe responsável por investigar crimes em uma Paris de muitos anos atrás, conduzindo interrogatórios na sede da Polícia Judiciária no Quai des Orfèvres“.
Minha primeira leitura do autor foi “A louca de Maigret” (L&PM Editores, 2009), em uma daquelas edições de bolso. Dali pra frente, buscava novos livros, terminando um título e começando outro. Citando eu mesmo, mais uma vez: “Maigret fez a sua primeira aparição na obra de Simenon em setembro de 1929 ainda como personagem secundário, conquistando o primeiro romance ‘para chamar de seu’ em 1930, com ‘Pietr, o letão‘ (Companhia das Letras, 2014), que seria seguido por mais de 70 outros romances. O comissário também protagoniza 28 contos escritos entre outubro de 1936 e maio de 1950″.
E por qual motivo estou contando tudo isso? Bom, não leio Simenon há muito tempo. Abandonei, de certa forma, os romances policiais há alguns anos, e passei a diversificar autores, personagens, estilos e gêneros literários. Até li um aqui e outro ali, mas em ocasiões bem raras, considerando o ritmo com o qual eu me debruçava nos mistérios e suspenses, muitos anos atrás. Contudo, recentemente, em uma viagem a trabalho à Brasília, no Distrito Federal, consegui unir o útil ao agradável.
Oportunamente, reservei um apartamento que ficava a poucos metros de um sebo e de um café (esse aqui). Nunca fui, exatamente, a pessoa de frequentar sebos e valorizar livros seminovos/usados (eu sei que eu deveria). A Amazon e o Kindle (leitor eletrônico, para quem não conhece) dificultaram essa experiência pra mim. Entretanto, sempre que vou ao sebo, acho muito bom. Dessa vez, buscando por alguns autores, achei algumas “pérolas”, dentre elas: um romance com o Comissário Maigret (Morte na alta sociedade) e um romance sem Maigret (As irmãs inimigas). Era hora de incluir o Comissário na lista de leituras, novamente. Obs.: ainda teve um Lima Barreto, com Recordações do escrivão Isaías Caminha.
“Morte na alta sociedade” (Maigret et les Vieillards) foi publicado, originalmente, em 1960. No Brasil, pelo que pude investigar, as traduções do francês para o português vieram a partir da década de 1970. A minha edição é a do Circulo do Livro, de 1989, com capa dura e esse visual “retrô”. Em consulta ao Google, aparentemente tivemos quatro publicações em português, basicamente: uma da Nova Fronteira, de 1979; outra da Editora Globo, de 1987; e, a mais recente, da L&PM, de 2004. Me conta aí se existem outras.
Conforme a ficha técnica do livro: “Uma princesa e um conde se amam desde a juventude e, impedidos de casar, trocam secretas cartas de amor durante cinquenta anos. A princesa acaba de ficar viúva e parece determinada a realizar o desejo que acalentou durante toda a vida. Mas, subitamente, o conde é assassinado em sua mansão, no mais aristocrático bairro de Paris. Este é mais um caso para o comissário Maigret que, dessa vez, mergulha num mundo que lhe é, ao mesmo tempo, estranho e familiar: o da aristocracia parisiense”.
Ler os romances com o Comissário Maigret, novamente, me lembrou o quanto eu gosto de mergulhar naquela atmosfera de investigação criada por Simenon. São romances, geralmente, curtos, com cerca de cento e cinquenta páginas, com início, meio e fim bem definidos. Sem complexidade na leitura, apenas no mistério. Me permito me citar, mais uma vez:
“Mas, por que o admiro tanto? E qual motivo de tamanho envolvimento com um simples personagem? A simplicidade e a humanidade de Maigret me cativaram desde os primeiros contatos e podem lhe cativar também. Nas histórias com o comissário não encontramos detalhes técnicos das investigações em grande quantidade, longas descrições de cenários suntuosos ou mistérios altamente complexos. Encontramos, por outro lado, seres humanos comuns, análises psicológicas fascinantes e personagens tão reais como o senhor que sentou ao seu lado no ônibus hoje”.
“Morte na alta sociedade” é muito prazeroso, tem um desfecho pouco óbvio e nos deixa curiosos por entender aquela tragédia. Para quem quer começar a ler “Maigret”, é uma boa pedida. Contudo, sugiro ler o artigo que escrevi para o Literatura Policial e dar uma conferida em algumas das resenhas que publiquei por lá (Maigret entre os flamengos; A gafieira de dois tostões; O caso Saint-Fiacre). Se você gosta de investigações e personagens carismáticos, os romances e contos com Maigret são um prato cheio.
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Sou fã de Simenon (um amor especial dedicado a Jules Maigret). Partilho das opiniões do resenhista sobre o autor e sobre o livro. Sugiro vivamente “O quarto azul” e “Carta ao meu juiz”, dois livros que não fazem parte da saga do comissário. Mostram muito da pequenez, da brutalidade das pessoas comuns.
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Obrigado pelo comentário, Rosane. Acho que ainda não li os romances que mencionou, vou buscar. Tenho uns três ou quatro do Simenon sem Maigret, e sempre achei leituras bem interessantes, por mais que prefira as histórias com Maigret. Abraços!
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