Resenha: A festa da insignificância

“Se sentir ou não se sentir culpado. Acho que tudo depende disso. A vida é uma luta de todos contra todos […]. Ganhará aquele que conseguir tornar o outro culpado. Perderá aquele que reconhecer sua culpa”

Brincadeira. Leveza. Peso. Imortalidade. Riso e esquecimento. Tratando de temas assim é que Milan Kundera me conquistou como leitor de vários dos seus livros. O conheci por meio do seu maior sucesso ‘A insustentável leveza do ser’, citado uma vez pelo tecladista da extinta banda Los Hermanos, Bruno Medina, em seu blog, muitos anos atrás.

Feliz coincidência. Desde então me acostumei com a leitura de seus romances cheios de reflexões sobre a vida, relações afetivas e elementos políticos que complementavam ou protagonizavam seus enredos.

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Milan Kundera é um escritor tcheco – naturalizado francês – nascido em 1929 e que recentemente, após um longo de período sem novas publicações, apresentou seu novo trabalho: ‘A festa da insignificância’. Por meio de uma história breve que gira em torno de cinco amigos em Paris, França, o autor narra pequenas cenas cotidianas, reflexões sobre a vida, encontros e desencontros.

A escassa descrição dos personagens e de uma história com início, meio e fim, ao invés de tornar o livro sem sentido, o transformam em alegoria muito interessante. Sem determinar o que é a realidade, presente, passado e o que ocorre apenas nos pensamentos dos personagens, a festa da insignificância traz pequenas reflexões precisas que mudam nossa forma de ver eventos rotineiros e nos provocam.

“Existem tantas representações do mundo quanto pessoas sobre o planeta: isso cria inevitavelmente o caos; como pôr ordem nesse caos? A resposta é clara: impondo ao mundo inteiro uma única representação”

Não seria importante sempre nos questionar qual a importância das coisas? O que é insignificante? Qual a utilidade das ações? A inutilidade das ideias? Para mim,a importância dos momentos simples se encontra na beleza íntima e compreendida apenas pelos envolvidos.

É a beleza do que não é televisionado, divulgado ou fotografado. É o momento que vem, que passa e que já passou.

Milan Kundera

 “A insignificância, meu amigo, é a essência da existência. Ela está conosco em toda parte e sempre. Ela está presente mesmo ali onde ninguém quer vê-la: nos horrores, nas lutas sangrentas, nas piores desgraças”

Aos profissionais e simpatizantes da psicologia e filosofia, recomendo a leitura deste e de outros.

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