Tristeza não tem fim? Distimia: um tipo de depressão crônica

“Tristeza, por favor vá embora. Minha alma que chora, está vendo o meu fim”

Após a publicação do meu último texto – Depressão e tristeza não são sinônimos – observei em alguns comentários menções à distimia e busquei aprofundar um pouco mais no assunto.

Distimia é o termo atualmente utilizado para definir um tipo de depressão crônica, com sintomas depressivos leves e de longa duração. O diagnóstico é geralmente considerado quando há manifestação dos sintomas durante pelo menos dois anos consecutivos e frequentemente ocorrência de episódios de depressão grave. Tristeza que não passa, mas que não incapacita. Pessimismo que persiste, mas que não impossibilita uma vida ‘normal’. Complexo.

“É melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe”

Tendo como tratamento recomendado a aliança entre o uso de medicamentos antidepressivos e a psicoterapia, o quadro configura-se por sintomas como: irritabilidade, baixa autoestima, mau humor, falta de energia, alterações no sono e apetite, tristeza e desânimo. Conhece algum deles?

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Acho sempre interessante pensar sobre a duração adequada ou recomendada de certas emoções ou incômodos. Por quanto tempo podemos ficar tristes? É normal se sentir desanimado por mais de três semanas? Posso sentir alegria demais e raiva de menos? Ou vice-versa?

Costumo medir a dose ideal ao consultar o quanto uma emoção ou um sentimento está influenciando a vida de uma pessoa e dos outros ao redor. Acredito que é de grande importância o crescente número de informações e tratamentos cada vez mais dedicados e especializados aos transtornos mentais, no entanto, desconfio do diagnóstico fácil e da utilização de uma doença como justificativa de um sofrimento de causa desconhecida.

“Tristeza não tem fim, felicidade sim”

Diversos estudos alertam para o uso indiscriminado de medicamentos antidepressivos, gerando dependências de ‘calmantes’ ou ‘remédios para dormir’, por exemplo. Outro exemplo é a recente pesquisa que apontou o aumento de 775%, nos últimos dez anos no Brasil, no consumo de Ritalina, medicamento utilizado no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade – TDAH (referência da fonte abaixo).

Ao mesmo tempo em que o diagnóstico de uma depressão crônica facilita nosso entendimento de diversos possíveis casos que cheguem à nossa porta ou de pessoas com as quais nos relacionamos pode, também, obscurecer as reais causas de insatisfação e de uma tristeza de origem desconhecida, caso não seja adotada, por exemplo, uma psicoterapia.

Mas eis que restará respondermos ao seguinte dilema: se temos a ‘pílula da felicidade’ ou ‘da tranquilidade’, por que não usa-las para sempre?

Referências

http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-registra-aumento-de-775-no-consumo-de-ritalina-em-dez-anos,1541952

http://drauziovarella.com.br/crianca-2/distimia/

http://www.abrata.org.br/new/artigo/distimia.aspx

LOPES, Anchyses Jobim. Luto e melancolia versus Distimia. Estud. psicanal. n.32 Belo Horizonte nov. 2009

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2 Respostas para “Tristeza não tem fim? Distimia: um tipo de depressão crônica

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