Maigret e a psicologia do crime


“Pardon tinha razão: de tanto se investigar as anomalias do comportamento humano, 
de classificá-las, de subdividi-las, não se sabia mais o que era um homem são de espírito” 
(Os escrúpulos de Maigret – Simenon)



Com o passar do tempo, alguns personagens de livros, filmes ou séries de televisão que acompanhamos se tornam praticamente reais em nossa mente. Imaginamos seu ambiente, seus modos, sua forma de pensar e seu universo. Nos tornamos íntimos a eles e passamos até a conseguir prever seu comportamento e seguir seu raciocínio. Conhecido entre os adeptos da literatura policial, o comissário Jules Maigret, famoso personagem criado pelo escritor belga Georges Simenon, se tornou uma dessas figuras fictícias e ao mesmo tempo reais para mim.

Possivelmente nos seus 50 anos e casado com uma mulher, por vezes, inacreditavelmente compreensiva, e sem filhos, o comissário é membro da polícia judiciária francesa e chefia uma equipe responsável por investigar crimes em uma Paris de muitos anos atrás.

Representante do envolvimento policial e da justiça, Maigret se mostra ao longo dos seus inúmeros casos, um profissional sensível, objetivo e dedicado. Narrados geralmente em terceira pessoa, os livros de Simenon com Maigret buscam, além de envolver o leitor com a investigação de crimes diversos, mergulhar na personalidade dos envolvidos, por meio de sutis análises psicológicas e reflexões sobre a natureza do crime e do ser humano.

Jules Maigret é por vezes rude, ausente em seu casamento, amante de cachimbos, bebidas alcóolicas ocasionais, apaixonado por seu trabalho, demasiado sensível aos casos nos quais se envolve, também honesto, lúcido e coerente. Protagonista de cerca de 75 romances e outros 30 contos, o comissário é um personagem curioso para quem se interessa pela aliança entre a literatura policial e a psicologia.

“… o êxito junto ao público deve-se menos ao enredo e a descoberta do mistério do que ao misto de ceticismo e esperança com o qual o taciturno Maigret vê a sociedade – visão psicológica que é a principal arma desse humanista no combate ao crime” (prefácio da coleção da L&PM Pocket – L&PM Editores). 

Recomendo a leitura e a experiência agradável e surpreendente de acompanhar a rotina do comissário Maigret, que contribui de modo simples e profundo com a compreensão de nossa complexidade.

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